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27.12.13

o problema de programas como "the voice brazil" (minha opinião)

estou em vão tentando me segurar pra não falar do "The Voice Brazil", até pq não assisti a nenhum dos programas… mas aqui vai, rapidinho…

[antes que os do pró e do contra se levantem, nem sei quem é o vencedor e nem sei quem foram os finalistas. o assunto da minha reflexão não é este.]

o #AmericanIdol e o #TheXFactor são dois dos programas de maior audiência da atualidade do país em que mais se consome (legalmente) música no mundo (EUA). mesmo assim, de todas as edições que já aconteceram, se não me falha a memória, apenas a Carrie Underwood tem uma carreira estável. sim, Kelly Clarkson tem um disco cheio de sucessos, mas seu segundo álbum foi um fracasso; conseguiu emplacar 1 hit no 3o álbum, mas o futuro dela ainda permanece incerto. One direction –que, diga-se de passagem, sequer venceu a competição– é apenas mais uma sacada do simon (idealizador e dono dos dois programas e franquias) que se ligou que desde a década de 90 sempre houve  pelo menos uma boy band para arrasar com os corações das adolescentes e que, atualmente, as boy bands que nem estavam mais juntos, estavam fazendo turnês de sucesso, ou seja: uma óbvia lacuna de mercado que ele aproveitou. ;)

onde eu quero chegar? até entendo a graça de assistir a programas como estes; são divertidos; entretêm. mas engana-se quem acha que, vencendo um deles, ganhará de presente uma carreira artística lôngeva. há exceções? inclusive no brasil, há. mas se vc é músico e vive disso, vc já é uma exceção. vc participar de um programa de voto popular em q vc instantaneamente fica famoso (além disso dificilmente ser saudável) é vc ser a exceção da exceção. vc ganhar este programa, vc é a exceção, da exceção, da exceção. e vc, como consequência disso, ter uma longa carreira de sucesso, vc é a exceção, da exceção, da exceção, da exceção. (talvez ganhar na loteria seja mais fácil!)

agora se vc –da sua casa, ou pq alguém lhe falou isso– acha provável q vc faça parte desta quádrupla exceção, rs… talvez vc esteja com uma visão distorcida de si mesmo (ou se ache mais do que deveria). e se vc é crente e tem fé em D-S, q Ele pode todas as coisas, é verdade: Ele pode, mesmo! D-S pode até usar vc onde vc está. e se Ele não usa vc onde vc está, dificilmente usará vc em qq outro lugar. ;)

mas sabe o que eu acho pior neste tipo de programa? na música (cristã ou não cristã) vc NUNCA está competindo com os outros. e este tipo de programa faz parecer que sim. ou ensina as pessoas que estamos competindo. música se faz JUNTO com outras pessoas. não umas CONTRA as outras. não é apenas na música cristã que o objetivo é fazer refletir, tocar a vida de pessoas, levar conforto e alegria. e se o objetivo é este, como isto poderia acontecer num ambiente de competição?! já imaginou se os jurados (com carreiras, a princípio, já estabelecidas) estivessem competindo entre eles? é difícil até de imaginar! simplesmente porque NÃO FAZ SENTIDO!!!

na música –como em tudo!– não estamos competindo entre nós, uns com os outros. competimos, isto, sim, com nós mesmos. eu quero ser melhor amanhã do que sou hoje e espero que hoje já esteja melhor do que eu fui ontem. quero, sim, fazer um disco mais bonito, relevante, bem feito, sensível e  transformador que o anterior, mas não estou olhando para os lados; estou olhando para cima (D-S) e para dentro de mim, para a transformação que o Espírito Santo quer operar e, espero, esteja operando.

17.12.13

landon

um dos verdadeiros mistérios que a vida não explica é a oração intercessora.

como exatamente ela funciona eu não sei. até mesmo porque há muitos indícios e textos bíblicos que evidenciam que D-S sempre faz o que é melhor para nós, independentemente de querermos ou pedirmos este "melhor" para nós mesmos.

é fácil compreender que algo acontece dentro de MIM quando eu oro por uma pessoa ou por uma causa que não é minha; ME edifica, no sentido de eu me tornar menos egoísta e mais como o próprio D-S, que, ao invés de ser servido, prefere servir; até mesmo quando nós Lhe expressamos o desejo de servi-lO, Ele nos convida prontamente a servirmos ao que Ele chama de "Seus pequeninos", tamanha a Sua grandeza (kavod = peso/glória).

também faz sentido que, se eu estou orando por, por exemplo, meu país ou minha comunidade (algo de que eu faço parte) a repetição deste exercício me ajudará a conscientizar-me do que precisa ser feito para melhorar meu país/comunidade e, por fim, me impulsionará a SER o que meu país/comunidade precisa que eu seja para que meu país/comunidade se torne melhor. e é provavelmente por isso, inclusive, que, no sermão do monte, Jesus nos pede para que oremos pelos nossos inimigos. quanto mais o fizermos, mais tempo passaremos pensando em quem consideramos nossos inimigos e esta reflexão, dirigida pelo Espírito Santo, poderá nos ajudar a compreendermos o porquê de considerarmos aquelas pessoas "inimigas"; no caso ideal, ainda, provocará em nós empatia e compreensão ao ponto de acabar com esta inimizade.

mais difícil, no entanto, é compreender por que minha oração pelo meu próximo deveria alterar alguma coisa "no universo", ou fazer alguma diferença na vida dele ou daquela causa (sendo que eu não tenho nenhuma influência sobre aquela pessoa/situação/causa). mas há indícios na Palavra de que isto é tão real quanto o que expliquei nos dois parágrafos anteriores.

não compreendo, mas aceito, pela fé.

semana passada encontrei, depois de muito tempo, uma de minhas melhores amigas e conheci, pela primeira vez, seu filho de 2 anos e meio de idade. landon é de uma energia incrível. sua mãe brinca que ele não anda; apenas corre, rs.! ama brincar com bolas e faz toda criançada que estiver com ele correr pra lá e pra cá, seguindo o seu costume, de tão contagiante que é.

landon nasceu com uma doença chamada hirschsprung's desease. não entendo nada de medicina, mas sei que a probabilidade de alguém nascer com isto é de 1 em 5.000.

mais recentemente se descobriu que ele tem um outro problema chamado chiari malformation. na maioria dos casos esta doença é assintomática e a pessoa passa grande ou a maior parte da vida sem saber que ela tem esta doença. por um lado é bom que o diagnosticaram tão cedo. por outro lado, se ele, tão novinho, já apresenta sintomas, talvez seja porque o caso dele é mais grave.

para mim foi interessante conhecer o landon pessoalmente, porque oro por ele desde o dia em que ele nasceu. mas confesso que eu não sei pelo quê, exatamente, orar. oro pela cura completa das duas raras doenças? oro pra que ele não sinta dor? oro pra D-S dar sabedoria e força aos pais e família para suportarem a situação? oro pra que estas dores fortes que ele sofre tão novinho não deixem sequelas em sua personalidade? oro para que não seja necessária uma neurocirurgia? oro pra D-S dar sabedoria aos médicos no diagnóstico de qual o melhor procedimento cirúrgico a ser adotado? oro pra D-S dirigir os pais na escolha pelo melhor médico em relação ao diagnóstico, ou cirurgia ou apenas pra D-S dirigir a mão do cirurgião independentemente de quem seja ou qual o procedimento? e se eu oro por estes detalhes de cirurgia, será que é porque não tenho fé de que D-S pode evitar que a cirurgia seja necessária? ou será que eu deveria ter fé de que D-S pode e vai fazer qualquer doença sumir, do nada?

mesmo não sabendo o que pensar, como agir ou pelo que/como orar, continuo orando. porque creio. em quem Ele é e no que Ele pode fazer. e quero convidar você a fazer o mesmo. ore comigo, pelo pequeno landon.

sei que muitos dos que lêem este texto estão passando por suas próprias dificuldades. ou conhecem pessoas que necessitam de oração. que tal você aproveitar o espaço de comentários para fazer o seu pedido de oração. e você que ler este texto ou qualquer dos pedidos expressos nos comentários, tome um tempo curto para orar especificamente por cada pedido que você ler.

e que tal compartilhar este post para cada vez um maior número de pessoas se unir a nós nesta corrente de oração?

já postei este texto no facebook, mas vou separar um tempo, todos os dias, para ler os pedidos de vocês e orar nominalmente por cada um aqui também; fará parte da minha meditação diária, este tempo de oração. não sei se eu vou conseguir ler todos os comentários/pedidos. e não vou nem tentar comentar ou responder a todos. mas existe algo de muito especial quando a gente ora por pessoas/causas que de nenhuma maneira têm como beneficiar a gente.

que possamos orar mais pelos outros do que pela gente. e que, talvez um dia, como consequência disto, possamos FAZER mais pelos outros do que fazemos por nós mesmos.

8.4.13

meia verdade.



está havendo um apelo geral pela internet para que "não nos calemos" e para "pregarmos a verdade, custe o que custar". tudo bem. eu –que já não sou de me calar– não me calarei, pois.

tem uma anedota que exemplifica a raiz do preconceito. 

conta-se que em meados do século xix a harvard proibiu alunos judeus de lá estudarem. ao se indagar o porquê disto, a resposta veio prontamente: "porque os judeus trapaceiam nas provas." em resposta, os judeus e os defensores de seus direitos perguntaram: "apenas os alunos judeus trapaceiam? os alunos cristãos não trapaceiam?" diz a lenda que o porta-voz da harvard respondeu: "o assunto agora são os judeus. não estamos falando dos alunos cristãos", encerrando o assunto. 

é um perfeito exemplo do que é o preconceito. ninguém em nenhum momento está questionando se trapacear é certo ou errado. mas por que apenas os judeus estavam sendo punidos por algo que, talvez no mesmo percentual, todos estavam fazendo? 

você talvez ainda não esteja entendendo porque dizer "você está errado e precisa ser transformado" é preconceituoso. vou lhe explicar. porque automaticamente a pergunta que se faz seria: "e você? por acaso não está errado? em nenhum sentido?! você não precisa de transformação?!" e a resposta se dá com a mesma ignorância da anedota acima: "o assunto agora, não sou eu. o assunto é você." ou, na versão moderna: "estou errado, sim. todos pecamos e carecemos da graça de D-S, mas não estamos falando disso…" e em pensamento acrescentamos: "mas eu careço dela menos que você, já estou mais evoluído."

frequentemente a gente usa o fato de que "precisamos pregar a verdade, mesmo que sejamos perseguidos por causa dela" apenas como desculpa pra falarmos o que a gente quer, sem entender exatamente o que é, de fato, tão "impopular" no Evangelho. vou explicar melhor:

o discurso exclusivista é absolutamente natural e popular para o ser humano. todas as religiões pagãs da antigüidade são exclusivistas e se baseiam no que VOCÊ oferece de sacrifício, para obter o favor dos deuses. é absolutamente carnal, querer definir e delimitar quem está certo e quem está errado, quem vai pro céu e quem vai pro inferno, quem é a classe dominante e quem a classe dominada. isto nada tem que ver com o reino de D-S ou com a Bíblia, embora possamos usar o nome de D-S e a Bíblia para criarmos estas separações. 

o Evangelho é impopular porque ele faz o contrário. Jesus e o sermão do monte vem acabar com tudo isto. o que Ele disse foi que TODOS estamos errados. o padrão moral de D-S é tão alto, que Ele é tão santo, tão separado, que NINGUÉM consegue alcançá-lo. que estamos todos no mesmo barco, na mesmíssima situação. líderes religiosos, judeus, samaritanos… todos! os incluídos e excluídos socialmente… todos! isto vem acabar com todas as separações. não existe um grupo que está dentro, e outro que está fora. não existe um grupo que está certo e outro que está errado. existe um grupo só. o dos seres humanos, todos errados ou, se você preferir esta terminologia: todos não apenas pecadores (ato) mas em pecado (condição).

e já que estamos TODOS IGUALMENTE errados ou fora dos planos de D-S, TODOS podemos usufruir da graça dEle. igualmente. como iguais. e é o Amor de D-S que nos capacita para isto. 

e é isto que há de tão "impopular" no Evangelho. o fato de NÃO haver separações. é a universalidade da graça que é escandalosa. o império romano não podia aceitar algo tão subversivo. a humanidade até hoje não suporta esta verdade: você aceitar a graça não aumenta seu valor perante D-S, da mesma maneira que você rejeitá-la não diminui seu valor perante Ele. e qualquer pessoa em qualquer condição, de qualquer nível social, com qualquer backround pode aceitar ou rejeitar a graça. isto é livre arbítrio.  



ps.: o assunto é sexualidade? vamos falar a verdade em relação a sexualidade dentro do padrão moral de D-S?! então vamos lá, vamos ao texto, literalmente: D-S criou um homem para uma mulher. adão não teve ex-namorada. e no plano de D-S não existe ex-namorado ou ex-namorada. adão não beijou umas 5-6 mulheres (sem sexo, claro!!!) até se decidir por eva, porque compartilhavam da mesma fé ou tinham mais afinidade. desde o primeiro olhar, o primeiro frio na barriga, a primeira "paixonite platônica", passando pelo primeiro entrelaçar de mãos, o primeiro beijo até a constituição da primeira família temos um homem e uma mulher. em que um ama o outro e coloca o outro acima de si mesmo. em que ambos se doam plenamente um para o outro, sem joguinhos de poder. não é nem "até que a morte os separe"… é pra sempre, mesmo, porque estamos falando de um mundo em que não há morte, ainda. este é o plano de D-S. e minha pergunta aqui é: quem aqui se encaixa? 

pps.: ah, tá… o "Antigo Testamento" é muito antiquado, não é literal? vamos às palavras de Cristo no sermão do monte. você que é casado, em algum momento de sua vida, antes, mesmo, de ser casado/casada, sentiu atração por outra pessoa sem ser seu cônjuge? basta um olhar com desejo. você que não é nem casado ainda… já sentiu atração por alguém? tá "fora". fora do plano original de D-S. fora do padrão moral de D-S em relação à sexualidade. quem aqui que é homem ou mulher de carne e osso ousa dizer que se encaixa, que está à altura do padrão de D-S?! 

ppps.: e porque restringir à sexualidade? vamos falar de honestidade! vamos falar da definição do "não matarás" no sermão do monte! "Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juizo. Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, encolerizar contra seu irmão, será réu de juizo; e qualquer que disse a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que disse: Louco, será réu do fogo do inferno." (Mateus 5:21-22). e aí… quem ainda está de pé, com pedra na mão? Jesus jamais declarou o adultério uma prática correta. mas ele disse "eu também não te condeno. vai, não peques mais." será que aquela mulher nunca mais pecou? em nenhum sentido?

pppps.: recomendo, ainda, a seguinte leitura: "fé cega, faca amolada" de carlos bezerra jr. é uma análise ainda diferente e/ou ampliada da minha. vale a leitura!

9.3.13

sem título.

eu estou há mais de um ano ensaiando para escrever este post aqui. é um assunto que, pra mim, não é nenhum pouco difícil (sou muito bem resolvido quanto a isto); o que o torna difícil é que, infelizmente, estou sob a impressão que muita gente quer entender o que tenho pra dizer a respeito deste assunto de maneira errônea. por isso o escrevo debaixo de muita oração. 

tenho consciência total de que as pessoas que acompanham meus textos neste blog ou até mesmo minha música e/ou ministério vêm dos mais variados backgrounds sociais, culturais e religiosos. enquanto você estiver lendo isto, por favor, tenha consciência disto também. ;)

quer queira ou não, este texto dialoga com pelo menos 3 outros textos que eu já publiquei aqui. talvez vocês o devessem ler novamente, apenas pra minimizar potenciais problemas. são estes aqui: "sal e luz"; "iguais" e "minha história… até aqui… (e ela continua)". [claro que quase ninguém vai fazer isto, rs., mas eu estou indicando, rsrsrs…!]

tenho, de uns 2 anos para cá, recebido perguntas quase semanais a respeito da minha denominação. o que é estranho, nisto tudo, são duas coisas: a) o fato de praticamente "todos" (que o queiram saber) já saberem a que denominação pertenço; e b) a maneira de me perguntarem ser quase idêntica, a dizer, assim: "você saiu da igreja? estão falando aqui na minha cidade que você saiu da igreja…"

respira fundo… vamos lá.

primeiramente precisamos definir alguns termos. 

religião (do latim religare, de significado especulativo) é um conjunto de sistemas culturais e de crenças, além de visões de mundo, que estabelece os símbolos que relacionam a humanidade com a espiritualidade e seus próprios valores morais. muitas religiões têm narrativas, símbolos, tradições e histórias sagradas que se destinam a dar sentido à vida ou explicar a sua origem e do universo. as religiões tendem a derivar a moralidade, a ética, as leis religiosas ou um estilo de vida preferido de suas ideias sobre o cosmos e a natureza humana.

uma denominação, confissão ou seita no sentido cristão do termo, é uma organização religiosa que funciona com um nome, uma estrutura e (ou) uma doutrina comuns.

igreja é uma palavra de origem grega escolhida pelos autores da septuaginta (a tradução grega da Bíblia Hebraica) para traduzir o termo hebraico q(e)hal Yahveh, usado entre os judeus para designar a assembleia geral do "povo do deserto", reunida ao apelo de moisés. […] no contexto bíblico, o termo igreja pode designar reunião de pessoas, sem estar necessariamente associado a uma edificação ou a uma doutrina específica. etimologicamente a palavra grega ekklesia é composta de dois radicais gregos: ek que significa para fora e klesia que significa chamados.

[estas definições foram extraídas da wikipédia; sei que wikipédia não possui nenhuma autoridade acadêmica, mas este não é um texto acadêmcio, rs.]

resumindo e reiterando: religião é um conjunto/sistema de crenças com o objetivo de explicar o sentido da vida; denominação é uma organização religiosa com nome, estrutura e/ou doutrina comuns e igreja são PESSOAS, no caso original, a assembléia geral do "povo no deserto".

muitos de vocês sabem que eu cresci na alemanha (morei lá de 1985-1994) e que até vir morar no brasil eu não sabia o que era uma escola cristã e nem o que é um país cristão… porque muito embora o pensamento cristão esteja presente nos fundamentos que regem o governo alemão, é um país com mais ateus ou agnósticos professos do que cristãos professos (hoje com a imigração o islã é a fé que mais cresce por lá).

dois episódios da minha infância:

a) quando eu estava na 5a série –na aula de religião (notem!)– o professor organizou um debate entre criacionistas e evolucionistas. de maneira muito rudimentar, criacionista é aquele que crê que o mundo foi criado (não importa quando e como) e evolucionista é aquele que crê que o universo, como existe hoje, é fruto do acaso [não sou ignorante ao fato de que as coisas não são tão simples assim, mas na 5a série na alemanha, esta era a "nossa" definição]. a sala INTEIRA estava no "time" dos evolucionistas. um colega meu me perguntou se o fato dele estar no "time" dos evolucionistas significava que ele não acreditava em D-S. eu respondi que sim; crer em D-S é crer que Ele criou o mundo/universo. por esta resposta, ele foi a única pessoa que se juntou a mim no "time" dos criacionistas. ele era católico (filho de irlandês). e pra mim, ele era meu irmão. se em uma sala de 30 crianças só tem você e mais um que sequer crêem que D-S existe, acredita em mim: ele é seu irmão! porque não importam as diferenças em sua maneira de crer ou de viver sua fé; pelo menos no nível mais básico/essencial (e mais importante) vocês concordam. 

b) na 8a série entrou um menino novo na sala. ele era o único que não sabia que eu era cristão professo. quando ele descobriu, ele ficou escandalizado! me perguntou: "mas você realmente crê em D-S?!" eu respondi: "sim. creio." seu comentário foi: "puxa vida… sempre tive você por um ser racional/inteligente." (eu tirava notas boas.) eu respondi: "mas uma coisa exclui a outra?"

evidentemente são apenas dois de muitos exemplos que eu poderia citar. mas este foi o ambiente em que cresci. e é claro que isto me marcou. 

muita gente me pergunta como eu faço para conviver com tantas pessoas diferentes, de denominações e até religiões diferentes, cantar em tantos lugares diferentes, com hábitos e costumes tão diferentes… alguns criticam isto em mim. outros consideram isto uma virtude. fato é que se eu, para poder ter comunhão com alguém, tiver que concordar em TUDO com ele, eu seria obrigado a abrir uma igreja só para mim e, provavelmente, nem meus amigos, nem minha família, nem minha esposa fariam parte desta religião/igreja/denominação. vou repetir: NINGUÉM concorda EM TUDO com NINGUÉM. e NINGUÉM discorda EM TUDO de NINGUÉM. estamos –TODOS– constantemente convivendo com pessoas com as quais concordamos e discordamos, ao mesmo tempo.

uma das razões que tenho para pertencer à igreja adventista do sétimo dia (iasd) é por causa de algo chamado conferência geral. pra quem não sabe, a assembléia geral da conferência geral acontece de 5 em 5 anos e reune a cúpula (eleita quinquenal e quadrienalmente) de todas as sedes administrativas da iasd dos mais de 200 países em que ela está presente além de uma BOA representação de membros leigos. o objetivo é discutir, sim, as diretrizes administrativas da organização, mas, também –e teoricamente principalmente!– discutir teologia/doutrinas. 

aqui preciso fazer um parênteses: pra muita gente as palavras "teologia" e "doutrinas" são considerados e tratados como dois palavrões. pelo Amor de D-S, gente! é ÓBVIO que NINGUÉM de igreja nenhuma acha que doutrina ou teologia ALGUMA salva alguém (embora às vezes possam agir como se achassem, rs.). o que salva é o sacrifício voluntário do santo Cordeiro de D-S em favor de todo aquele que O aceitar e o resultante relacionamento pessoal –absolutamente transformador– que você construir com Ele. isto está claro? teologia ALGUMA salva e teologia ALGUMA transforma vidas. não há salvação porque você crê "da maneira correta". conhecimento bíblico –por mais profundo que seja– não salva ninguém.

o problema é que a teologia, quando mal feita, pode deturpar a sua visão de D-S e atrapalhar seu relacionamento com Ele. querem um exemplo bíblico? quem armou a condenação de Jesus não foram, como alguns pensam, os fariseus; foram os saduceus (caifás, anás, etc.). e por quê? com a demora de aproximadamente 4.000 anos desde a promessa do Messias (a adão) os saduceus acharam que tinham de encontrar alguma explicação ou subterfúgio para explicar porque o Messias ainda não havia vindo; e a conclusão teológica a que chegaram era que Ele não viria em carne. então quando Jesus, o Messias, veio em carne e osso, filho de maria, eles não tinham condições teológicas de O aceitar. sua teologia não lhes permitia isto. e como o povo estava crendo que aquele era, de fato, o Messias, e isto não podia ser verdade de acordo com sua teologia, chegaram à conclusão que era "melhor que um morresse pelo povo e que não perecesse toda a nação." (joão 11:50)

fatalmente sua base teológica (ou a falta dela) vão influenciar a maneira com que você lê certos textos e isto vai influenciar a imagem que você tem de D-S. e como o objetivo do cristão é refletir a imagem de D-S (ser Seu rosto na terra) é importante, sim, a cada dia reavaliar como é que você enxerga D-S e redifinir, pra você, mesmo, quem é D-S. e se sua maneira de enxergar e compreendê-lo não evoluem com o tempo, isto é uma evidência muito forte que você está em apuros, rs…

tenho plena noção de quão pouco popular é esta maneira de pensar. o que nós seres humanos queremos é nos agarrar com toda a nossa força a coisas palpáveis, sem jamais abrir mão de nada. biologicamente o que não muda está morto. ouso dizer que espiritualmente o mesmo princípio se aplica. a exceção para isto é D-S. somente Ele não muda. mas Ele não muda porque Ele já é completo. nós somos incompletos. nossa compreensão e visão é incompleta. por isto precisamos mudar constantemente. 

aí você pode vir dizer que os princípios bíblicos são eternos. e são, mesmo. sua aplicação, no entanto, muda de cultura pra cultura, de sociedade para sociedade, de época para época. querem exemplos?

certa vez um missionário americano, ao chegar para pregar numa tribo africana se escandalizou ao ver que todas as mulheres casadas/mães estavam com um dos seios descoberto. embuído de seu zelo pela "decência cristã" ele pediu para que cobrissem toda a parte de cima do corpo. foi uma melhor que lhe explicou que, em sua cultura, apenas as prostitutas cobriam os 2 seios e que jamais as mulheres "de família" fossem querer ser indecentes a este ponto. moral: o princípio da decência e da moral é eterno. mas o que é considerado decente e indecente muda de cultura pra cultura.

outro exemplo (apelando menos, agora, rs.!): não faz muito tempo que mulher com cabelo curto era considerada vulgar. interessante é que se você fizer uma pesquisa entre homens brasileiros, a maioria vai dizer que acha cabelo comprido mais sexy. note aqui novamente que não está em questão se uma mulher deve ou não ser vulgar. mas garanto que todos que visitam este blog já conheceram mulheres decentes com cabelos longos e com cabelos curtos. e já devem ter conhecido também mulheres vulgares com cabelos longos e com cabelos curtos. o princípio não é o cabelo e, sim, novamente, a decência. 

ainda no quesito cabelo: homem com cabelo comprido era tido como rebelde. nota que o problema, mais uma vez, não é o cabelo comprido e nem o cabelo curto, mas, sim, a rebeldia. ou o que dizer da barba?! num país como o brasil usar barba era sinônimo de ser da esquerda, o que era interpretado como rebeldia, também. hoje a "esquerda" está no poder e a barba deixou de ser um problema na maioria dos lugares…

precisa de mais exemplos, gente? a lista é interminável.

por via de regra, em comunidades tradicionais ou tradicionalistas, tudo o que é moderno, de vanguarda ou simplesmente "diferente" é tido como menos espiritual. aí quando deixa de ser "diferente", porque a sociedade acompanhou o processo, deixa de causar estranhamento e passa a ser aceito como conduta.

voltando à questão da teologia. infelizmente a maneira mais comum de se fazer teologia hoje em dia é a em que cada ponto de fé/doutrina é um pequeno tijolinho, que se relaciona e depende de outro tijolinho. e de tijolinho em tijolinho se constrói o "muro da fé". este muro normalmente tem como objetivo definir quem está "dentro" e quem está "fora". e há muitos que se consideram protegidos por este muro. a raiz disto é a necessidade do ser humano se sentir especial baseado no seu próprio comportamento, no que ele, mesmo, faz (como sendo o contrário do que é bíblico, que é a gente se sentir especial baseado no que Ele fez e faz por nós). "porque eu faço ou deixo de fazer tal coisa ou porque eu creio ou não creio desta ou daquela maneira, eu sou especial." outro problema deste sistema é que pra você mudar qualquer tijolinho o muro inteiro cai. porque uma coisa depende da outra. ou pelo menos foi assim que ele foi construido. e este ainda não é o maior problema: pra você construir um sistema fechado, assim, você está partindo da premissa que você já tem todos os tijolinhos, que você ou seu grupo de pessoas já sabem TUDO. ou seja: a premissa do seu muro de fé é uma mentira. ninguém, nenhum grupo de pessoas nunca soube, não sabe e jamais saberá tudo. diga-se de passagem: nem na Eternidade a gente vai saber e/ou compreender tudo. e querer saber/compreender tudo é o que gerou toda a problemática do pecado na terra por principiar!

eu pertenço a uma denominação que parte do pressuposto que a gente NÃO sabe tudo. e em seu estatuto define que devemos continuar buscando, individualmente e como igreja, a conhecer mais da Bíblia e mais de D-S, numa busca eterna de descobrir novas coisas e de redefinir aquilo em que cremos. só que também é uma igreja tradicional. e, como disse antes, as comunidades tradicionais têm dificuldade em absorver/aceitar tudo o que é "novo" ou "diferente". compreendo esta tensão. e convivo com ela diariamente. porque como a gente não sabe tudo, isto me dá a liberdade de não concordar com tudo, de ter meus questionamentos e minhas opiniões pessoais, de ter a minha busca individual dentro do coletivo. 

fico muito triste quando vejo pessoas –de qualquer denominação– agindo como se fossem donos da Verdade. até porque a Verdade é uma pessoa. e Ele é quem é o dono de tudo.

fico muito triste quando vejo pessoas –de qualquer denominação– querendo defender a D-S ou até mesmo a menina de Seus olhos (a igreja) a ferro e fogo, com unhas e dentes, com aquela "santa indignação" (que de "santa não tem nem o nome). será que estas pessoas não percebem que Jesus é o nosso advogado e não vice-versa? que Ele não é réu de nada e que a última coisa que Ele quer e precisa é de nossos argumentos pífios! defesa de fé?! fé não se defende… se vive! fé, quando vivida, não precisa de defesa alguma!

fico muito triste quando vejo pessoas –de qualquer denominação– que oprimem umas às outras em nome do D-S cujo maior objetivo é libertar os oprimidos de seus opressores. e quando D-S vier defender os oprimidos de você ou de mim, não vai adiantar dizer que a gente fez isso por Ele, porque sua resposta será "não vos conheço". porque se você oprime em nome de D-S, você não conhece Ele. se não, não oprimiria. simples assim. e pode trocar a palavra "oprimir" por "excluir", "diminuir", "descartar" ou qualquer outra… você sabe do que eu estou falando. você e eu já fizemos isto mais vezes do que gostaríamos de admitir.

fico muito triste quando vejo pessoas –de qualquer denominação– discutindo comportamento como se estivessem discutindo teologia, ou até mesmo princípios! admita! você e eu já descartamos alguém porque pensava diferentemente da gente, se vestia de um jeito diferente, falava outra linguagem diferente da nossa… e a gente até tentou argumentar que a diferença entre ele e a gente era teológica ou espiritual (quanta ousadia, julgar a espiritualidade de outra pessoa, meu D-S, nos perdoa!), mas no fundo era o famoso "bullying religioso", mesmo. opressão em nome de D-S.

fico muito triste quando vejo pessoas –de qualquer denominação– xingando umas às outras (falam palavrão, mesmo!) porque acham que o outro não sabe ler a Bíblia, recorrendo ao argumento mais fajuto possível, que é o senso comum. 

mas o que mais me entristece é quando pessoas que se dizem de uma denominação pedem –e até exigem!– pra outra pessoa da mesma denominação "sair da igreja" porque esta pessoa não se quer conformar com um ponto que não se refere nem a um princípio, nem a uma doutrina, mas diz respeito apenas a um costume que em outros lugares do mundo é totalmente aceito por esta mesma denominação. a função do cristão é convidar pra entrar e não pedir pra sair da igreja! às vezes tem gente que acha que pra fazer parte de uma igreja você tem que passar pelo treinamento retratado no filme "tropa de elite". você tortura uma pessoa desumanamente. se ele sair, é porque era fraca e não merecia fazer parte do grupo seleto. se ela continuar, é porque ela realmente é forte o suficiente e foi bom ter torturado ela, pra fortalecê-la. meu D-S! que lógica é essa?! onde que isto está na Palavra de D-S?!

a verdade é que a sociedade como um todo (isto não é exclusividade dos religiosos) perdeu a capacidade de ouvir. constantemente nos sentimos atacados e sentimos que nosso direito está sendo torcido e, pra evitar isto, torcemos o direito dos outros. somos aquele namorado tão paranóico com medo de ser traído que trai primeiro. temos tanto medo de ser perseguidos, que perseguimos. temos tanto medo da opressão que oprimimos.

in necessariis unitas
in dubiis libertas
in omnibus caritas

no necessário (essencial): unidade
no duvidoso (não essencial): liberdade
em tudo: caridade (Amor)

você pode discordar até das primeiras duas frases. mas se você não crê que em TODAS AS COISAS você deve ter e demonstrar Amor, você deve ter uma Bíblia diferente da minha, você deve adorar a um deus diferente do meu. e Amor significa respeito. e respeito significa tolerância. 

afinal, o Amor tudo sofre. tudo crê. tudo espera. e tudo suporta. ou seja: o Amor crê que há bondade em todos. o Amor espera quanto for necessário até que esta bondade se manifeste. o Amor suporta as diferenças e "o diferente".

que esta seja a razão pela qual eu, você e todos nós tenhamos a capacidade de convivermos uns com os outros, mesmo com as diferenças. eu quero ser assim. cada dia mais. e você?




ps.: querem me chamar de universalista? não sou, MESMO. não acho que D-S vai salvar a todos. mas tenho certeza que é mais fácil pra Ele salvar alguém que está totalmente "perdido no mundo" do que alguém que se julga superior aos que estão "perdidos no mundo". e tenho a forte impressão que nossos critérios de quem será e quem não será salvo estão totalmente por fora. até porque a gente nem deveria ter critérios a este respeito, porque enquanto podemos julgar atos e palavras, jamais poderemos, na nossa condição atual, julgar pessoas, quem dirá sua salvação!

pps.: IMPORTANTE: muito obirgado por todos os comentários de apoio. D-S somente sabe o quanto isto me anima. mas é muito importante esclarecer que doutrinas e costumes NÃO são a mesma coisa. doutrinas são fundamentadas na teologia enquanto os costumes são a aplicação (influenciada pela cultura do local e da época) dos princípios teologicamente compreendidas e resumidas em sua doutrina. isto aqui é MUITO IMPORTANTE! quando falo que posso e devo questionar doutrinas, nem estou falando dos costumes! estou falando de reflexões teológicas, mesmo, que têm como finalidade meu crescimento espiritual. a questão dos costumes eu sequer discuto. porque não vale a pena. o que lamento é que ninguém discute teologia ou doutrinas. as pessoas de maneira geral, apenas discutem costumes, que é algo que eu considero infinitamente inferior e menos importante. oxalá brigássemos e discutíssimos por causa de doutrinas ou teologia. nossas maiores discussões ficam no plano mais raso possível, que é dos costumes.
Não percebeis que vos é melhor que morra um homem pelo povo, e que não pereça toda a nação".
João 11:50"m
Não percebeis que vos é melhor que morra um homem pelo povo, e que não pereça toda a nação
João 11:50

Não percebeis que vos é melhor que morra um homem pelo povo, e que não pereça toda a nação
João 11:50

Não percebeis que vos é melhor que morra um homem pelo povo, e que não pereça toda a nação
João 11:50

Não percebeis que vos é melhor que morra um homem pelo povo, e que não pereça toda a nação
João 11:50
que morra um homem pelo povo, e que não pereça toda a nação"
João 11:5

1.6.12

sal e luz…

vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com o que se há de salgar? para nada mais presta senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens. 
vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte. 
(mateus 5:13-14)

todos conhecemos este texto. ele aparenta ser de interpretação simples e de fácil aplicação. 

não quero me arvorar a fazer uma análise profunda, mas ando pensando muito neste texto; e falando bastante dele para as pessoas do meu convívio. tudo começou com uma conversa que tive com meu irmão andré, que é pastor, há alguns anos…

dizer que tanto a luz quanto o sal de nada valem em meio à luz e em meio ao sal, seria em demasiado óbvio. mas tem muito religioso que não se atenta para isto. então aqui vai: onde o sal precisa estar? no meio de todo e qualquer outro tipo de alimento. sal com sal, não faz sentido algum! onde a luz precisa estar? onde a escuridão parece ser a mais densa. luz, no meio de luz, não faz diferença nenhuma.


dois pensamentos em relação à luz:

a) a escuridão nada mais é do que ausência de luz. e tudo que é necessário para destruir a mais densa escuridão, é apenas um pouquinho de luz. as trevas não podem existir onde há luz. e não é a luz que tem de temer as trevas.

b) a luz não existe pra ser vista (embora seja visível e perceptível); ela existe para fazer enxergar (parafraseando um tweet do pr. ed rené kivitz que li um dia desses). ninguém fica olhando para a luz; mas sem luz, é impossível enxergar o mundo como ele é.


dois pensamentos em relação ao sal:

a) em uma refeição perfeita ninguém presta atenção no sal. ninguém fala nele, ninguém o nota. no caso ideal, o sal é totalmente imperceptível.

b) percebe-se apenas a falta ou o excesso de sal. e, importante, pior para a refeição é o excesso de sal do que sua falta.


pensamentos aleatórios, baseados no texto: 

no texto, Jesus diz que somos sal, antes dizer que somos luz. será que precisamos ser sal, primeiro, antes de sermos luz? será que não estamos viciados em querer ser luz 24hs por dia, sendo que deveríamos passar mais tempo sendo sal? será que com isso não estamos salgando demais a refeição, chamando uma atenção negativa para nós mesmos, quando nem deveríamos ser percebidos? será que sofremos da necessidade de sermos notados, mesmo que seja da maneira errada? será que, como corpo de Cristo, não estamos supervalorizando nosso chamado para sermos luz em detrimento ao de sermos sal? e será que é por isso que desconfiamos de todo e qualquer cristão que, em alguns momentos, prefere ficar anônimo e fazer uma silenciosa diferença, achando que ele "mudou de lado" ou está "negando sua fé como pedro"?

às vezes fico pensando quantas oportunidades maravilhosas não perdemos de ser sal, porque nos sentimos pressionados –uns pelos outros– a sermos luz…


22.3.12

texto introdutório "princípio e fim"…

por estes dias publiquei, aqui, o texto introdutório do encarte do cd "Avinu Malkenu" (2010)… e não sei quantos de vocês de fato lêem estes textos, mas desde o "poemas e canções" (2002), já, meio que criei o hábito de escrever um texto que tentasse sintetizar o que, através das canções, creio estar querendo dizer… digo "creio estar querendo dizer", porque parto do pressuposto que a gente sempre diz muito mais do que a gente planeja dizer e que o nosso discurso jamais poderia ser totalmente controlado por nós. de qualquer maneira, estes textos buscam dar um cornice (moldura) dentro do qual o trabalho possa ou deva ser interpretado.

e como é um texto que eu realmente sempre quero que as pessoas leiam, independentemente de serem assíduos leitores de encarte ou não, quero, mesmo que antecipadamente, reproduzi-lo aqui.


nem sempre uma das premissas do mundo ocidental se prova verdadeira; os opostos, os paradoxos e o que é fundamentalmente diferente nem sempre precisa estar separado ou distante um do outro. aliás, não é difícil perceber que algumas das coisas mais belas deste planeta freqüentemente são fruto de combinações improváveis e/ou inesperadas…

é somente quando sol e chuva se fundem que temos o arco-íris; a lua cheia, quando vista de dia, parece ainda mais bonita, quase transparente contra um céu azul; e o que dizer das fontes de água quente que na islândia jorram em meio a um deserto de gelo…

sempre que o ser humano segue estes exemplos da natureza (de unir o que a princípio parece inconciliável) coisas incríveis e maravilhosas acontecem.

se isto é verdade na natureza e nas relações humanas, quanto mais nas artes! o novo fica tão mais bonito quando emoldurado do velho; o moderno tão mais profundo quando enraigado numa tradição; a erudição tão mais elegante quando de mãos dadas com a simplicidade…

no plano espiritual também não é muito diferente. algumas verdades são tão abrangentes que não podem se restringir somente ao passado, presente ou futuro… algumas só encontram seu real sentido quando coexistem.

o Reino de D-S é assim. ele só vai existir porque já existe. e se existe hoje em parte, é porque (já existiu com o Messias e) um dia vai existir plenamente. já, mas não ainda…

há aqueles que se omitem no presente, tamanho seu foco na eternidade. há aqueles que negam a eternidade, tamanho seu comprometimento em mudar o presente. e já me vi fazendo o papel tanto de um quanto do outro.

atribui-se a martinho lutero a afirmação: “se eu soubesse que amanhã fosse o dia do juizo final, ainda hoje plantaria uma macieira.”

é quando nada mais pode ser feito, ou fazer qualquer coisa parece ter perdido o sentido, que tudo o que é feito se torna uma revelação de caráter. ao mesmo tempo que é assombroso pensar em fazer qualquer coisa, contribuir de qualquer maneira para um ser que é Todo-Poderoso ao ponto de ser imutável (o mesmo ontem, hoje e eternamente), como permanecer inerte perante tudo o que Ele fez e faz, tudo o que Ele é?!

exigir que fizéssemos algo que Lhe pudesse acrescentar alguma coisa seria esmagador. impedir-nos de retribuir tudo o que recebemos e somos por Sua causa igualmente um castigo. por isto Ele nos pede que façamos pelo próximo o que gostaríamos de fazer por Ele. pelo órfão, pela viúva e pelo estrangeiro. por aqueles que não possuem perspectiva e expectativa. por aqueles que não compartilham sequer de nossas perguntas, quem dirá de nossas respostas.

se servimos ao Rei do universo porque é honroso servi-Lo, não servimos outro a não ser nós mesmos. quantos não querem servir ao Criador, oprimindo Suas criaturas! mas servir a D-S é servir a Seus pequeninos. e é quando o fazemos que nos tornamos um com o Rei, que Criador e criatura se unem para plantar uma semente que vai desde o aqui e agora até a eternidade. 



ps.: estou MUITO ansioso pra este cd sair logo e pra vocês poderem me dar as impressões de vocês!!!

5.3.12

iguais.

este texto é bem curto. apenas um pensamento que me veio hoje de manhã, mas que creio valer mais do que um tweet.

busco tratar a todos de maneira igual, não fazer acepção de pessoas. e o melhor método que encontrei para isto, é buscar tratar a todas as pessoas que cruzam meu caminho de igual para igual. tem gente que me acha humilde por isto. tem gente que me acha arrogante por isto. tudo depende da expectativa que você tem em relação a como eu deva tratar você.

é evidente que, em termos de características, somos muito diferentes uns dos outros. mas em relação ao valor, somos todos iguais.

paulo, quando fala a respeito do corpo de Cristo, é categórico em afirmar que é Cristo quem é a cabeça deste organismo vivo a que chamamos de igreja (e por que não aplicar este princípio à sociedade, de modo geral?). a cabeça, o cérebro, a mente, indubitavelmente é o órgão mais importante de um corpo. a importância hierárquica de qualquer outro órgão é questão de opinião. 

o pé pode até achar que é insubstituível. a mão pode achar o mesmo. assim também o rim, o baço, os olhos, a boca, etc. etc.

verdadeiramente insubstituível é o cérebro. porque é ele o responsável por TODOS os movimentos e pelo funcionamento de TODOS os órgãos (mesmo quando inconscientemente). todos os outros órgãos só funcionam quando ligados e conectados um ao outro e ao cérebro. igualmente ao ramo em relação à videira.

alguns órgãos aparecem mais e chamam mais à atenção; mas pergunte a qualquer biólogo ou perito em anatomia: mesmo as substâncias do corpo a respeito das quais você jamais ouviu falar, quando faltam, podem gerar depressão, uma série de outras doenças e até a morte! 

o que eu quero dizer com isto? pode até ser que o que eu faço na obra de D-S apareça mais, chame mais à atenção das pessoas do que aquilo que você considera ser apenas sua "pequena contribuição". mas sou categórico em afirmar que perante D-S e Sua igreja você e eu somos, ambos, igualmente importantes. igualmente substituíveis ou insubstituíveis. e isto serve para mim, para você e também para aqueles a quem o "mundo (cristão)" considera e trata como se fossem mais importantes do que eu e você.

acho que por mais que alguns se ofendam e se escandalizem com isto, tratar a todos de igual para igual, não é, no fundo, uma idéia tão ruim, assim…

19.2.12

grammy 2012…

este foi um texto que escrevi, mas, ao terminá-lo, percebi que tinha muito mais que ver com o observatório cristão (blog comandado por mauricio soares) do que com este meu blog… segue o link para vocês conferirem, caso tenham interesse:

a única coisa que eu esqueci de levar em consideração foi que no ano passado, já, o "melhor álbum" ficou por conta de um cd totalmente autoral e orgânico, a dizer o "the suburbs" do arcade fire.

em breve mais textos aqui, porque já estamos em fase de lançamento de um novo cd, rs…!


16.2.12

texto de introdução do encarte de "Avinu Malkenu"

estou terminando de escrever todo o texto para o encarte de "princípio e fim" e, claro, não pode faltar um texto de introdução ao projeto. pra me ajudar nisto, acabei relendo todos os textos de introdução dos meus cds anteriores e me senti tocado a postar aqui o texto que introduz/apresenta o meu cd em hebraico "Avinu Malkenu". não sei quantos de vocês possuem este cd, que foi lançado pela sony music em setembro de 2010, e nem sei quantos dos que possuem uma cópia se deram ao trabalho de ler o texto introdutório. este texto, em particular, mexe comigo e o quis compartilhar com vocês:


vivemos num mundo em que “comunicação” no sentido mais profundo da palavra tem se tornado algo cada vez mais raro. talvez isto se dê pelo fato da gente tentar demais, falar demais e fazer questão demais de ser ouvido, quando a verdadeira comunicação transcende o domínio das palavras.

arte é uma maneira maravilhosa de se comunicar. podemos estar diante de uma mesma obra, enxergar coisas completamente distintas e, ainda assim, sentirmos uma conexão um com o outro. e comunicação mais tem que ver com esta conexão do que com compreensão de fato.

durante milênios o homem tem buscado em vão compreender a si mesmo, a D-s e um ao outro. o que D-s quer, no entanto, é ter uma conexão significativa conosco, e que nós o tenhamos com Ele e com o nosso próximo. “buscar compreender” até pode significar isto, mas palavras podem ser mal-interpretadas; atos podem ser mal-interpretados; arte, porém, de uma maneira muito peculiar, tem a capacidade de nos ajudar a vislumbrar conceitos que talvez ainda não tenhamos condições de compreender plenamente.

em 2002 eu descobri, muito por acaso, que eu tenho ascendência judaica… e embora eu tenha desde sempre tido uma curiosidade inexplicável por tudo o que diz respeito ao judaismo, creio que saber disto foi o gatilho para eu embarcar no maior dos exercícios de alteridade a que eu poderia me propor: ser “eu” em uma língua, cultura e linguagem por mim até então desconhecidos.

por isto, mais do que qualquer outra coisa, este projeto é um convite aberto “a quem interessar possa” para um diálogo. não para aquele diálogo em que cada um expõe com distanciamento o que pensa a respeito de um assunto, mas para um diálogo baseado na troca de experiências, no compartilhar da própria existência. pois se nossas respostas divergentes ainda estão causando dissenção, desrespeito e desamor, talvez ainda não tenhamos aprendido a fazer as perguntas certas. afinal, só existe Um Pai… e Um Rei.
 

é isso… talvez ainda estejamos fazendo as perguntas erradas… (nem acredito que eu escrevi isto, rs…!)

24.11.10

D-S

é impressionante a quantidade de gente que me pergunta –ao vivo e em cores, pelo twitter ou de qualquer outra maneira– o porquê de eu escrever D-S desta maneira (é impressionante o quanto as pessoas se incomodam com isto, também, rs.). 

foi uma das pequenas coisas simples que o meu rosh edson nunes jr. me ensinou.

o respeito que se tem no judaísmo pelo nome de D-S é algo impressionante e simplesmente lindo. apenas para exemplificar: os rolos do mar morto que foram encontrados entre 1946-1956 são parte do legado que os essênios (entre 150AC e 70AD) nos deixaram. eles levavam o nome de D-S a sério a tal ponto que, enquanto copiavam os rolos das Sagradas Escrituras, quando chegavam ao tetragrama sagrado ("YHWH", o nome de D-S) eles paravam de copiar, tomavam um banho para se purificar, faziam uma oração específica, usavam uma pena e uma tinta diferente e, somente então, escreviam o nome de D-S.

além disso… na Bíblia hebraica o rolo da Torá não possui vogais… então esta é uma maneira usual em todo o mundo, de judeus escreverem o nome de D-S, como forma de respeito e reverência.

uma vez, lendo o encarte de um dos meus cantores prediletos (kurt elling) eu vi que ele também escrevia desta maneira… e foi quando eu resolvi aderir…

[em inglês ficaria "G-D", em alemão "G-TT", etc.]

não que faça alguma diferença; o importante não é escrever "D-S" de uma maneira diferente, mas tratá-lO –e todas as coisas concernentes a Ele– de uma maneira diferente. fato é que escrever "D-S" desta maneira ME ajuda a lembrar-me sempre que Ele é diferente, superior… enfim: santo. 



ps.: ainda tenho dificuldade em aceitar que o wendel faleceu… muita dificuldade.

11.11.10

totalitarismo político-religioso

como eu gosto da Bíblia… (sei que esta é uma frase "assustadoramente crente" para quem acompanha o meu blog, mas é verdade!) e sei que tem milhares de razões para isto, mas hoje eu gostaria de abordar apenas 1 exemplo da maravilhosa ironia bíblica que tem me ajudado de maneira particular durante estes últimos dois meses…

antes de mais nada, os textos bíblicos:

e, chegando Jesus às partes de cesaréia de filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: quem dizem os homens ser o Filho do homem?
e eles disseram: uns, joão o batista; outros, elias; e outros, jeremias, ou um dos profetas.
disse-lhes Ele: e vós, quem dizeis que Eu sou?
e simão pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do D-s vivo.
e Jesus, respondendo, disse-lhe: bem-aventurado és tu, simão barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus.
pois também eu te digo que tu és pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;
e Eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.
matheus 16:13-19

temos aqui um exemplo fantástico do que acontece de maravilhoso quando alguém é usado por D-s. a parte deliciosamente irônica, nisso tudo, é que, exatamente 2 versículos depois, ainda dentro do mesmo capítulo, dentro do mesmo contexto, talvez menos de 5 minutos depois de Jesus ter falado isto para pedro, vemos a seguinte situação:

desde então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia.
e pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de Ti; de modo nenhum Te acontecerá isso.
Ele, porém, voltando-se, disse a pedro: para trás de Mim, satanás, que Me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de D-s, mas só as que são dos homens.
matheus 16:21-23

sabe qual é a uma das mensagens que D-s nos traz através deste episódio? é um recado que a gente finge que entende, mas na prática demonstra que estamos longe de iternalizar: não existe NENHUM ser humano que já passou pela face da terra –exceto o próprio Jesus Cristo– que pode dizer a respeito de si que NUNCA seja ou tenha sido usado pelo inimigo. todos nós o somos. pedro o foi. qualquer cantor cristão que você admira, qualquer pastor que você venera, qualquer teólogo ou levita em alguns momentos é usado pelo inimigo. e em outros é usado por D-s.

temos a mania de categorizar pessoas. se alguém faz algo com que eu não concordo, ele só pode ser do inimigo. se alguém faz algo que me agrada, ele só pode ser de D-s. veja bem a linguagem aqui: ser ou não ser… esta é SEMPRE a questão! e grandes são as implicações disto… se o pastor na saída da igreja não me deu a atenção que eu acho que eu merecia, é porque ele não é humilde. se ele não é humilde, é porque Ele não tem D-s no coração. e assim –com tamanha facilidade– descreditamos a pessoa e o ministério de alguém, normalmente para sempre!

grandes foram as decepções que sofri nesta época de eleição com a postura de alguns líderes religiosos e, de maneira geral, com as manifestações daqueles que ferrenhamente defendiam seus candidatos querendo demonizar o candidato concorrente deste. e eu, que detesto maiúsculos, preciso escrever isto em letras garrafais: NENHUM SER HUMANO É 100% DE D-S E NENHUM SER HUMANO É 100% DO INIMIGO. nem pastor, nem político, nem cantor, nem músico.

evidentemente não estou defendendo certas linhas filosóficas ou ideológicas que tentam dizer que o BEM precisa do mal e vice-versa e que, no fundo, são a mesma coisa. D-s, o supremo BEM, é somente Amor, Justiça, Misericórdia, etc. e o inimigo é somente mal. mas quando se trata de seres humanos, simplesmente não há absolutos.

mesmo que eu me comprometa a apenas compôr canções que exaltem ao Senhor, se minha vida toda não o exaltar, como é que tudo em todas as minhas canções o poderia fazer?! e volto a repetir: a vida TODA de NINGUÉM somente O exalta; sempre há os "outros" momentos. momentos em que você vai brigar com sua esposa, ou com seus filhos… em que você vai se irritar no trânsito ou pensar/falar mal de alguém sem nenhuma razão sólida. não tem jeito! por mais que você tente, por mais que você busque entregar toda a sua vida, todos os seus momentos a D-s, aqui, infelizmente, isto será impossível. neste sentido, todos nós somos iguais. todos estamos no mesmo barco.

[só pra piorar a situação de vez: ser usado por D-s não é garantia de salvação! isto fica claro em i coríntios 13, matheus 7 e tantos outros lugares, também…]

a gente pode até julgar os atos de alguém. mas nunca a pessoa. no entanto, é o que geralmente acontece. a gente joga a pessoa inteira fora, por causa de um ato (muitas vezes isolado) que a gente não compreende ou com o qual a gente não concorda. e especialmente nesta época política, sei de muita gente séria que jogou muita gente mentalmente fora por causa de uma ou outra declaração. a pessoa pode até ter feito algo errado, mas isto não quer dizer que ela seja errada por completo!

e se –como no famoso exemplo– a mistura de apenas 1% de veneno com 99% da água mais límpida matam tanto quanto 99% de veneno e 1% de água, quem entre nós não é letal?

sabe o que é mais legal nesta história? ninguém é 100% do inimigo, também. o cara mais satanista não consegue ser cruel e desumano 24h por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano. enquanto o juízo final de D-s não tiver sido sentenciado sobre ele em algum momento ou outro –por um descuido que seja– a imagem e semelhança do D-s de Amor transparecerá através dele.

e é muito legal saber que D-s não usa apenas os religiosos professos ou coisas ditas sagradas ou santificadas para fazer Sua glória resplandecer. e não é através da teologia que Sua glória mais resplandece, mas através do Amor. no Amor entre pai e filha/filho. no Amor entre marido e esposa. no Amor entre irmãos. no Amor para com o órfão, a viúva e o estrangeiro. e, com excelência, no Amor entre duas pessoas que simplesmente não concordam em coisa alguma.

como é que a expressão e celebração deste Amor poderia não ser divina, mesmo que venha com o rótulo "errado" (que nós colocamos, evidentemente)?!

pena que inúmeros destes detalhes tão bacanas são por muitos ignorados…

31.10.10

Jesus chorou

o que é o que é? · clara e salgada · cabe em um olho e pesa uma tonelada · tem sabor de mar · pode ser discreta · inquilina da dor, morada predileta · na calada ela vem, refém da vingança · irmã do desespero, rival da esperança · pode ser causada por · vermes e mundanas e o espinho da flor · cruel que vc ama · amante do drama · vem pra minha cama por querer · sem me perguntar me fez sofrer · e eu que me julguei forte · e eu que me senti · serei um fraco quando outras delas vir · se o barato é louco e o processo é lento, no momento · deixa eu caminhar contra o vento · que adianta eu ser durão e o coração ser vulnerável · o vento não, ele é suave, mas é frio e implacável · (é quente…) · borrou a letra triste do poeta · (só…) · correu no rosto pardo do profeta · verme sai da reta · a lágrima de um homem vai cair · esse é o seu b.o. pra eternidade · diz que homem não chora · tá bom, falou… · não vai pra grupo irmão, aí… · Jesus chorou

mano brown

13.11.09

heschel.

existe algo "mágico" em torno de certos livros, certos parágrafos, certas frases… mas mesmo em bons livros, grandes livros, é raro já o primeiro parágrafo ter um poder magnético irresistível. entre os que mais me marcaram até hoje está o do heschel chamado "o schabat". cito, na íntegra, os primeiros dois parágrafos (e com tanto respeito, que, pela primeira vez neste espaço, aparecem maiúsculos no início de cada frase).

A civilização técnica é a conquista do espaço pelo homem. É um triunfo freqüentemente alcançado pelo sacrifício de um ingrediente essencial da existência, isto é, o tempo. Na civilização técnica nós gastamos tempo para ganhar espaço. Intensificar nosso poder no mundo do espaço é o nosso maior objetivo. No entanto, ter mais não significa ser mais. O poder que alcançamos no mundo do espaço termina abruptamente na fronteira do tempo. Mas o tempo é o coração da existência.
Ganhar o controle no mundo do espaço é certamente uma de nossas tarefas. O perigo começa quando, para ganhar poder no reino do espaço, pagamos com a perda de todas as aspirações no reino do tempo. Há um reino no tempo em que a meta não é ter, mas ser; não possuir, mas dar; não controlar, mas partilhar; não submeter, mas estar de acordo. A vida vai mal quando o controle do espaço, a aquisição de coisas do espaço, torna-se nossa única preocupação.

daria pra passar o fds inteiro pensando nisso… e garanto que não seria um tempo perdido.

6.11.09

muro.

semana que vem (exatamente no dia 09.11.2009) vai completar 20 anos da queda do muro de berlin. lembro como se tivesse sido ontem. um dos eventos que mais marcou minha infância.

meus amigos e eu, na época com 10 anos de idade –no parquinho, mesmo– discutíamos se esta união não estava sendo feita precipitadamente, se era o melhor caminho para a BRD (república federativa alemã), quais os objetivos do primeiro ministro helmut kohl, as consequências para a economia, enfim… consegue imaginar um bando de criança de 10 anos de idade discutindo política? éramos nós. a gente podia não estar compreendendo tudo o que se estivesse passando, mas tinha aquele sentimento, aquele ar de que a gente estava vivenciando algo importante, vivendo um momento histórico.

vocês só podem imaginar como é para alguém nesta idade conhecer pessoas que falam a mesma língua, pertencem, na verdade, a um só povo, mas com sotaques e hábitos tão diferentes! pessoas que não sabiam o que era mcdonald's, coca cola, talvez nunca tivessem chupado uma laranja ou sequer visto uma banana de perto… muitas pessoas comiam tanto abacaxi em suas primeiras viagens ao lado ocidental que ficavam com a boca cheia de haftas. e tudo isto não por razões de injustiça social (na época eu nem sabia o que era isto), mas por razões políticas; porque há uns 50 anos a alemanha havia perdido uma guerra.

meu melhor amigo da 4a até a entrar na 7a série havia nascido e se criado na alemanha oriental. sua família havia sido uma das milhares que fugiram da DDR antes da queda do muro, pela (então ainda) tcheco-eslováquia via viena (na áustria) para a alemanha ocidental. seria mais ou menos como tentar entrar nos estados unidos pelo méxico, sem documentos (com a significativa diferença que os irmãos da alemanha oriental eram MUITO bem recebidos com salário de desemprego, plano de saúde, moradia, etc.). embora a gente brigasse MUITO, era um grude só; onde um ia, o outro tinha de estar.

uma das coisas que mais me impressionou quando as fronteiras foram abertas, foi a atitude da alemanha ocidental de dar de presente a TODO visitante que viesse do "lado de lá" (
drüben) 200,00DM (equivalente a uns 100,00US$ na época) e de trocar o marco oriental para o ocidental (que deveria valer no mínimo dez vezes mais) 1 por 1. isso com dinheiro de imposto, dinheiro do governo. e a maioria estava de acordo com isto. mas embora o muro de berlin já tivesse caído, o muro dos preconceitos ainda continuava de pé, sendo fortificado e erigido cada vez mais alto toda vez em que o sotaque diferente ou algum hábito que nos parecia exdrúxulo era motivo de chacota; e infelizmente isto não era raro. a última vez em que fui a berlin, em 2003, pouco restava das diferenças de um lado para o outro. e o preconceito também havia diminuido significativamente. mas demorou mais de uma década, até mesmo porque os muros invisíveis são os que mais demoram a ser derrubados.

é curioso pensar que a 10.000km de onde eu morava nesta época, aqui no brasil, este mesmo evento marcou profundamente uma pessoa que eu só conheci muitos anos depois: heber schünemann. ele ficou tão impressionado que compôs a música "muro". e rapidamente esta música se tornou para ele a mais querida de todas as músicas que ele havia escrito até então, como se fosse sua "obra prima" deste período.

ele mostrou a música pra muita gente, alguns solistas e vários grupos chegaram a cantar esta canção, mas nunca ninguém a gravou. D-s a guardou até o momento em que alguém que vivera de perto o momento da história mundial que inspirara esta canção aparecesse para gravar seu primeiro cd solo,
poemas e canções.

D-s é D-s.

como entender os caminhos de alguém
que movimenta o universo inteiro
sabe os lugares que vou percorrer
move montanhas por mim em segredo?

felipe valente


(gravado por dida vagner no cd obra.)

28.9.09

salachti…

o perdão de D-s é restaurador. "Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna." (hebreus 4:16)

nenhuma palavra poderia trazer mais conforto e alívio para aquele que busca a D-s do que salachti; e nenhuma ocasião poderia ser mais "oportuna" do que o dia de hoje, yom kippur.

5.12.08

l(it)ei(/ra)tura...

nunca consegui me divertir com leituras filosóficas. já li alguns dos importantes pensadores da civilização ocidental e pelo menos até um certo ponto creio ter compreendido algumas das coisas que li (é claro que digo isto baseado na consciência de existirem vários níveis de compreensão e do meu nível de compreensão ser um dos mais baixos, rs.), mas nunca consegui me divertir com estas leituras. por mais que eu sentia que eu estivesse aprendendo muito –ler filosofia nada mais é do que pensar os pensamentos dos outros para, no caso ideal, se posicionar em relação a estes pensamentos– treinando os mecanismos de raciocínio e pensamento, isto nunca me deu prazer. pronto. falei! vou continuar lendo, pelo aprendizado, mas... enfim.

já até fiquei embasbacado com a genialidade e/ou ousadia de platão, aristóteles, nietzsche, heschel e tantos outros... com a capacidade de armazenar informações e principalmente de relacionar informações tão diferentes umas das outras de modo a criar novos sentidos (o que é minha definição pessoal da palavra inteligência) ou ainda com a organização e estruturação de pensamentos que tantas vezes ainda hoje são revolucionários..., mas simplesmente não me dá prazer.

não como a "literatura". 

atualmente estou lendo "guerra e paz" de leo tolstoi. 1644 páginas bíblia. e não é em vão que a literatura russa é famosa por ser excessivamente descritiva, detalhista e prolixa. mas é justamente nestas descrições exaustivas das pessoas, dos costumes, das roupas, das hierarquias, das paisagens, dos sentimentos, dos pensamentos (claro!), dos olhares, até, que parece que a gente conhece, nas semelhanças e diferenças em relação a nossa cultura e nosso tempo, o que nos torna seres humanos, em essência. é como se eu estivesse conhecendo através da rússia e dos russos da primeira década do séc. XIX (de uma maneira que muitos russos não se conhecem) um pouco mais a meu respeito e a respeito do ser humano de modo geral.

nos livros você pode viver várias vidas e vários personagens, muitas vezes fundamentalmente diferentes de si próprio. e isto amplia seu conhecimento de si mesmo, das pessoas ao seu redor e do mundo. no caso ideal, torna você mais compreensivo.

se isto acontece com tolstoi... quanto mais com a palavra de D-s. pela obra literária em si, a bíblia é o livro dos livros. somando isto à atuação do Espírito Santo, além de ampliar a visão de si e do mundo, a leitura da palavra de D-s –o relacionar-se com D-s!– tem poder de transformar-nos de seres escravizados pelos próprios desejos a seres livres para servirmos uns aos outros e ao D-s que nos libertou.

10.10.08

jejum e expiação

hoje foi yom kippur. judeus ao redor do mundo passaram o dia junto a suas comunidades em jejum total de comida e água, de pôr-do-sol a pôr-do-sol.

o jejum é a atitude "suicida" por excelência; afinal, se recusar a comer significa negar a própria vida. no yom kippur, no entanto, negar a vida não aparece como fruto da incapacidade de enxergar além de seus próprios problemas ou como sinal de desesperança e/ou resignação, nem tampouco como expressão do desejo de morrer para o mundo. face à expiação a morte desejada é a morte para si mesmo: quero morrer em mim para mim, a fim de que o Eterno viva em e através de mim. e a purificação é justamente esta, de se esvaziar de si pra que todo espaço seja por Ele preenchido. 

é impressionante como a falta de alimento e água, além de também ser um símbolo exatamente disto, tem como efeito colateral uma clareza de mente que dificilmente se alcança de outra maneira...

6.9.08

muito em breve...

há 2000 anos o povo de D-s vive na espectativa da volta de Jesus. os próprios discípulos acreditavam que seria ainda na geração deles! tem muita coisa que a gente não entende (e nem precisa entender)... uma delas é o porquê "disto tudo" estar demorando tanto.



na bíblia diz que é pela misericórdia de D-s. afinal, se não tivesse demorando tanto, você, que lê isto, e eu jamais teríamos nascido e/ou tido possibilidade de salvação (ou até mesmo de existir). mas fato é que um dia D-s terá de se levantar de Seu trono (figurativamente falando, obviamente) e dar a ordem pra que Jesus venha nos buscar, como prometido em tantos milhares de textos, a exemplo de joão 14:1-3 (nas palavras do próprio Cristo).

quando a gente lê matheus 24, que o Amor se esfriará em muitos, parece que Jesus está falando dos dias de hoje... e que não tem mais pra onde piorar. mas quantas gerações antes de nós, como a do pós-guerra, ou a da liberação (libertinagem?) sexual das décadas 60 e 70 não pensaram a mesma coisa? e, aparentemente, a humanidade ainda consegue achar novas maneiras de superar, aprofundar e intensificar a sua própria decadência... verdade é que simplesmente não temos como saber até que ponto nós seres humanos seremos capazes de nos autodestruir.

como poderemos, então, saber qual vai ser a última geração, aquela que nunca verá a morte?

“[...] vós mesmos estais inteirados com precisão de que o dia do Senhor vem como ladrão de noite. quando andarem dizendo: paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição. [...] mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que esse dia como ladrão vos apanhe de surpresa; porquanto vós todos sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite, nem das trevas. assim, pois, não durmamos como os demais; pelo contrário, vigiemos e sejamos sóbrios.” (i tess. 5:2-6)

o mais importante não parece ser quando, de fato, Ele vai voltar, mas -e isto, sim!- a maneira com que nos portamos em relação a este evento. D-s sempre pediu para que Seus seguidores vivessem como se Seu retorno fosse iminente, não porque Ele quer nos enganar (é claro que um D-s onsiciente sabe exatamente quando haverá de retornar a esta terra), mas porque Ele sabe que, para nós, esta é a melhor maneira de viver. 

certa vez assisti a um dvd em que bill gaither sabiamente proferiu algo semelhante a isto: “é fundamental para o cristão ter uma clara noção do conceito de que somos pregrinos nesta terra; é somente quando temos uma clara noção disto que todas as outras coisas paracem tomar suas devidas proporções.” 

eu arriscaria ampliar este conceito. na iminência real da volta de Jesus tantas destas questões superficiais e comportamentais com as quais perdemos tanto tempo em comissões de igreja, acampamentos, congressos e afins... elas perderiam muito se não completamente sua importância. 

curiosamente ou não, foi sempre quando a igreja acreditava que Cristo voltaria muito em breve que ela -como indivíduos e como povo- se purificava e se focava no que era realmente importante, porque quando você sabe que o tempo é curto -por mais conteúdo que você tenha- você só fala o que é REALMENTE importante; você filtra, você seleciona, você destila. 

a única maneira de pregar de maneira eficaz que Jesus Cristo vai voltar em breve é vivendo todos os dias como se você soubesse com certeza que Ele voltará amanhã. 

comece fazendo isto hoje, no dia 06.09.2008. viva hoje como se Cristo fosse voltar amanhã.